Ask John McCain

Olavo de Carvalho

November 11, 2008

As a correspondent and weekly columnist for Brazilian newspapers, I have received tons of letters and phone calls from my readers demanding an answer to this question. I don’t know the answer. Only John McCain knows the answer. Only he can solve the most opaque, perhaps the most frightening political mystery of the last few decades. Please help me to obtain from him the answer to this question:

At this very moment, a man in the White House has open access to all of America’s military and diplomatic secrets, while his own life and career remain a locked secret for American citizens. Every American presidential candidate since George Washington has opened his private and professional documents to public scrutiny, making transparency, sincerity and truthfulness the first duties of the American presidency. You followed their example: We know who you are, because you showed us the documents that provided proof for every step of your personal, professional and political life. But who is Barack Hussein Obama? He does not allow anyone to see his original birth certificate, his school report, his medical records, his passport, the agenda of his meetings as a Senator, the list of the clients of his law office, the roster of the minor contributors to his electoral campaign, or even his doctoral thesis, so often alleged, ironically, to be proof of his high intellectual standards. Not even Lenin, Stalin, Hitler or Mao were so obsessively secretive. Why did you accept this living pack of secrets, concealments, veils and camouflage to pose as your normal and respectable opponent, instead of demanding of him, as was your right and your duty, the same transparency the American people have required of every presidential candidate? Why should America reveal all her classified information to a man who will not make her privy to even trivial details of his life? Why did you, to your own detriment, help your adversary sell a political behavior that was obviously uncanny, abnormal and threatening as normal, respectable and safe?

My readers in Latin America and your voters in the U.S.A. thank you for your answer.

Olavo de Carvalho

www.olavodecarvalho.org

http://www.youtube.com/watch?v=ZhWoxb59qXQ

Derrota inevitável

Olavo de Carvalho

Jornal do Brasil, 6 de novembro de 2008

Quando um candidato se acumplicia à fraude montada contra ele próprio, seu destino eleitoral está selado. José Serra e Geraldo Alckmin acreditaram que podiam vencer Lula nas eleições após tê-lo ajudado a esconder suas ligações com os terroristas e narcotraficantes do Foro de São Paulo. Bobagem. Perderam feio. John McCain acreditou que podia derrotar Barack Obama nas urnas após tê-lo ajudado a ocultar praticamente toda a sua biografia – a mais prodigiosa carreira de fraudes e mentiras que já se viu na política americana (v. www.wnd.com/index.php?fa=PAGE.view&pageId=80008). Entre a sinceridade e o fingimento, a sinceridade quase sempre vence. Se a luta é entre o fingimento ativo e o fingimento passivo, o primeiro tem todas as vantagens. Tem a seu favor a iniciativa, a liberdade de ação, o cinismo, em face de um adversário tolhido pela consciência de seu secreto handicap.

McCain, ao contrário da maioria de seus eleitores, sabia muito bem que o adversário tinha tudo a esconder e que, para escondê-lo, não hesitara em bloquear o acesso a praticamente todos os seus documentos, inclusive referentes à sua vida pública. O candidato republicano, que, como todos os aspirantes à presidência americana desde George Washington, colocara seus papéis à vista do público, poderia ter vencido as eleições de maneira direta e arrasadora, simplesmente exigindo igual transparência do adversário ou, caso não fosse atendido, recusando-se a aceitá-lo como concorrente leal e recorrendo à Justiça para obrigá-lo a jogar limpo. Mesmo na hipótese remotíssima e quase nula de que a revelação dos documentos nada provasse contra Obama, ele já estaria queimado ante a opinião pública pelo simples fato de havê-los escondido no começo da campanha. Colocar o adversário nessa situação constrangerora seria uma impolidez da parte dos republicanos, mas não mais ofensiva, e sobretudo não mais prepotente, que a de um ilustre desconhecido que exige tornar-se o homem mais famoso do mundo ao mesmo tempo que se arroga o direito de proteger-se, como um bandido, dentro de uma fortaleza de confidencialidade inexpugnável.

Mas Obama não foi protegido só pela omissão suicida de seus adversários. Enquanto ele ocultava a realidade da sua vida sob a fachada de um personagem ficcional criado em laboratório, a grande mídia inteira, com exceções raras, parciais e tímidas, vendia o personagem como autêntico e se esquivava sistematicamente à investigação da realidade. Como se isso não bastasse, duas vezes mais repórteres eram designados para cobrir Obama do que para cobrir McCain e o número de matérias simpáticas ao candidato democrata ocupava o dobro do espaço concedido a seu concorrente. Mesmo sem levar em conta que a campanha de Obama, sustentada pela elite global bilionária – como invariavelmente acontece com os representantes dos pobres e oprimidos –, tinha três vezes mais dinheiro que a de McCain, o fato é que McCain aceitou, desde o início, uma luta desigual contra um candidato investido de direitos especiais ilimitados, inclusive o de ocultar a lista de suas contribuições de campanha, coisa que jamais aconteceu na história da democracia americana ou de qualquer outra. Se para desempenhar esse papel sui generis os democratas escolheram um político de raça negra, foi justamente para camuflar sob a diferença epidérmica a diferença substantiva entre o que se cobrava de um dos concorrentes e o que se permitia ao outro. Só para vocês fazerem uma idéia: o processo aberto na Suprema Côrte para exigir a certidão de nascimento de Obama foi ignorado pelos jornais e canais de TV, ao passo que uma insignificante comissão estadual de inquérito contra Sarah Palin foi alardeada como um escândalo nacional. A governadora do Alasca foi inocentada na véspera da votação, tarde demais para que ela tirasse algum proveito eleitoral disso, e, por decisão do Juiz David Souter, Obama só terá de responder à Suprema Côrte em 1º. de dezembro, quando isso já não poderá lhe trazer nenhum dano eleitoral.

Mudando o mundo

Olavo de Carvalho

Diário do Comércio (editorial), 6 de novembro de 2008

Querem saber o que vai acontecer daqui a pouco nos EUA? Tal como sucedeu no Brasil com o Foro de São Paulo, às negações indignadas se seguirão as confissões cínicas, quando já não puderem trazer dano aos criminosos. No devido tempo, quando Barack Obama se sentir seguro na presidência, virá à tona a entrevista de sua avó declarando que ele nasceu no Quênia, a revelação de que ele sempre foi muçulmano, as provas da ajuda que prestou a seu primo genocida Raila Odinga, o financiamento de seus estudos em Harvard por um milionário pró-terrorista, a ajuda recebida de Tony Resko com o dinheiro de Saddam Hussein, a colaboração de William Ayers como ghost writer de Dreams of My Father, etc. etc.

Não são coisas que se possa esconder indefinidamente. O próprio Obama não tem ilusões a esse respeito. Tudo o que podia fazer era manter seus documentos essenciais fora do alcance do público até um pouco depois das eleições. Uma vez empossados os vencedores, com o Congresso totalmente dominado pelos seus partidários e a oposição republicana reduzida ao silêncio pelo controle estatal da opinião radiofônica (um velho e querido projeto dos democratas), já pouco haverá o que temer. O que um dia foi escondido como vergonha será alardeado como glória. Lembrem-se do vídeo do III Congresso do PT enaltecendo o Foro de São Paulo como coordenação estratégica da esquerda continental, dois anos depois de haver negado oficialmente que ele fosse isso. Se tiverem memória um pouco mais longa, lembrem-se de Fidel Castro proclamando “Sempre fomos e seremos marxistas-leninistas” depois de jurar “Nunca fomos comunistas.” Esses dribles são rotina na história do movimento revolucionário. O próprio Lênin, logo após tomar o poder, mandou espalhar entre os investidores europeus que não era comunista de maneira alguma, apenas um espertalhão que se fazia de comunista. Eles acreditaram e despejaram na Rússia um bocado de dinheiro, confirmando o dito leninista de que a burguesia tece a corda com que os comunistas a enforcam.

Que Obama é um revolucionário e vai fazer um governo revolucionário, é algo que seus militantes enfatizam uns para os outros e atenuam perante o público em geral, tal como o nosso PT sempre manteve um discurso duplo, aquecendo o lado de dentro e esfriando o de fora, pregando nos seus documentos internos precisamente o que negava na propaganda eleitoral.

Obama sabe perfeitamente bem que seu projeto de uma “Força Civil de Segurança Nacional” é uma militância armada de jovens bem doutrinados, em tudo semelhante às SA de Hitler ou à Juventude Comunista, que nada fará contra terroristas, narcotraficantes ou imigrantes ilegais, como ele deixa o público imaginar, mas se ocupará de perseguir “homofóbicos”, “extremistas de direita”, “fundamentalistas” e outras criaturas malvadíssimas. Ele já testou esse projeto na ONG Public Allies – dirigida primeiro por ele, depois por sua esposa Michele –, e uma de suas principais metas de governo é alocar uma verba anual de quinhentos bilhões de dólares – sim, quinhentos bilhões de dólares – para dar realidade a essa idéia sublime: “desmilitarizar a seguraça pública”… militarizando a juventude (v. http://www.ibdeditorials.com/IBDArticles.aspx?id=305420655186700). Mesmo que esse fosse o único projeto revolucionário de Obama, o advento dessa monstruosidade policial bastaria para alterar repentinamente e de uma vez para sempre a face da democracia americana, transformando-a na fachada de uma virtual ditadura, imposta, como a de Hitler e a de Hugo Chávez, por meios anestésicos e inteiramente legais.

Mas ele promete também “desmilitarizar o espaço” e “desacelerar a pesquisa nuclear norte-americana”. A primeira expressão significa simplesmente desmantelar o sistema de defesas aéreas montado por Ronald Reagan. Uma vez feito isso, nada poderá devolver aos EUA a sua condição de potência militar dominante. Quanto ao segundo ponto, ele dará à China a oportunidade de em breve tempo igualar-se aos EUA em capacidade nuclear agressiva, já que o establishment militar chinês se empenha cada vez mais em fazer o contrário do que Obama promete aos EUA: acelerar a pesquisa, acumular força.

Quando Obama diz “Vou mudar o mundo”, ele sabe do que está falando. Apenas, a mudança que ele promete não é nova: é a mesma de sempre, a destruição da democracia por meios democráticos, o aumento do controle estatal sobre a vida dos cidadãos, o enfraquecimento do capitalismo e a exaltação do socialismo. Em pleno curso de realização dessa desgraça, a chantagem psicológica que impôs aos cidadãos americanos a obrigação moral de votar em Obama sem perguntar quem ele era terá se tornado, em comparação, uma trapaça menor, quase inocente.