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Questão de honra

Olavo de Carvalho

Diário do Comércio, 28 de abril de 2011

A imagem oficial dos combates travados entre os anos 60 e 70 no Brasil opõe, de maneira reiterada e obsessiva, os “jovens” guerrilheiros aos “velhos” generais. Adolescentes românticos e entusiastas contra setentões endurecidos e carrancudos. O estereótipo, instituído pela minissérie “Anos Rebeldes” (Globo, 1992), tornou-se obrigatório em todos os filmes, romances, contos, novelas de TV e reportagens, ao ponto de arraigar-se no imaginário popular como uma cláusula pétrea da verdade histórica, a base infalível de tudo quanto se pensa, se crê e se sente daquele período histórico. O simbolismo aí embutido é auto-evidente: a juventude representa a inocência, o idealismo, a esperança, a visão rósea de um mundo melhor; a velhice personifica o realismo cínico, a acomodação ao mal, o apego tacanho a uma ordem social injusta e caquética.

No entanto, é claro que nada disso corresponde aos fatos. Vejam os comandantes da guerrilha. Carlos Marighela era jovem? Joaquim Câmara Ferreira era jovem? Jacob Gorender era jovem? E os soldadinhos das Forças Armadas que trocavam tiros com os terroristas nas ruas e nos campos eram anciãos? Como em todas as guerras, os comandantes dos dois lados eram homens velhos ou maduros, os combatentes em campo eram jovens. Sob esse aspecto, nada se inventou de novo no mundo desde os tempos homéricos.

A deformação cronológica já basta para mostrar que a visão daqueles tempos disseminada por empresas de mídia, artistas, escritores, editores, jornalistas e professores é pura obra de propaganda. Propaganda tanto mais maliciosa e perversa quanto mais adornada do rótulo autolisonjeiro de “pesquisa histórica”. Por mais documentos que se revirem, por mais entrevistas que se ouçam, não há pesquisa histórica quando as perguntas são sempre as mesmas e os aspectos antagônicos são sistematicamente evitados.

Desde logo, as guerrilhas são sempre mostradas como fruto de uma reação ao golpe de 1964. Isso é absolutamente falso. As guerrilhas começaram em 1962, em pleno regime democrático, orientadas e subsidiadas pela ditadura cubana e ajudadas pelo presidente da República, de modo a articular, segundo a estratégia comunista clássica, a “pressão de baixo” com a “pressão de cima”, a agressão armada no subterrâneo da sociedade com a agitação política vinda das altas esferas do poder. Não foram concebidas no intuito de derrubar uma ditadura, mas de destruir qualquer governo, democrático ou ditatorial, que se opusesse ao plano de Fidel Castro de instituir um regime comunista no continente. Investiguem um a um os guerrilheiros, desde os líderes e planejadores até o último tarefeiro encarregado de vigiar os seqüestrados. Não poucos dentre eles eram maoístas, discípulos de um monstro genocida, pedófilo e estuprador. E entre os demais não se encontrará um só que não fosse comunista, marxista-leninista, acima de tudo um devoto da Revolução Cubana, que àquela altura já havia matado pelo menos 17 mil civis, quarenta vezes mais que o total de “vítimas”, quase todas combatentes, que, num país de população bem maior que a de Cuba, o nosso regime militar viria a fazer ao longo de vinte anos.

Em plena contradição com o culto pararelo do “Che”, as guerrilhas também surgem como um fenômeno isoladamente nacional, sem as conexões internacionais que a criaram, sustentaram e orientaram durante todo o tempo da sua existência. Vasculhem novelas, reportagens, o diabo: raramente encontrarão referência à OLAS, a Organização Latino-Americana de Solidariedade, ancestral do Foro de São Paulo, criada nos anos 60 pela KGB e por Fidel Castro para disseminar na América Latina “um, dois, muitos Vietnãs”, segundo a fórmula consagrada pelo teórico Régis Débray num livrinho idiota, “A Revolução na Revolução”, que os nossos guerrilheiros liam como se fosse a Bíblia. Tudo, absolutamente tudo o que a guerrilha fez foi planejado, determinado e subsidiado desde a OLAS – o que é o mesmo que dizer: desde a Lubianka, a sede da KGB em Moscou –, o Brasil só entrando na história como o cenário inerme, um dos muitos, onde deveriam realizar-se os planos de ocupação continental concebidos pelos mentores do regime mais assassino e cruel que o mundo já conheceu.

Se a expressão “OLAS” prima pela ausência, mais inaudíveis, ilegíveis e invisíveis ainda são as iniciais K, G, B. Decorrido meio século dos acontecimentos, os esforçados “pesquisadores” da Globo, do SBT, da Folha e das universidades ainda não se lembraram de examinar os Arquivos de Moscou, onde centenas de autênticos pesquisadores, nos EUA e na Europa, têm certificado, acima de qualquer possibilidade de dúvida, a presença dominante do governo soviético na coordenação de todos os movimentos guerrilheiros no Terceiro Mundo. O único que se interessou por esse material explosivo foi o repórter da Globo, William Waack, e só pesquisou ali acontecimentos dos anos 40, nada do tempo das guerrilhas. Mesmo assim, sua breve passagem pelos Arquivos de Moscou abriu uma ferida profunda no orgulho esquerdista, mostrando que Olga Benário Prestes não foi jamais uma inocente militante perseguida pela ditadura getulista, e sim uma agente do serviço secreto militar soviético.

Um exemplo escandaloso do desinteresse em saber a verdade é o caso José Dirceu. O criador do Mensalão sempre se descreveu como um “ex” agente do serviço secreto militar cubano. Que história é essa de “ex”? Nenhum militar sai do serviço sem dar baixa oficialmente. Cadê o certificado de dispensa? Respeitosos, cabisbaixos, cientes de seus deveres de lealdade para com o segredo tenebroso das esquerdas, nossos repórteres sempre se abstiveram de fazer ao ex-deputado essa pergunta irrespondível. Resultado: com grande probabilidade, um agente estrangeiro, em pleno serviço ativo, presidiu um partido, brilhou na Câmara dos Deputados, berrou, denunciou, acusou e roubou o quanto quis. As pessoas se escandalizam com o roubo, mas não com a intromissão cubana. Quando o dinheiro é mais prezado que a soberania nacional, é que todo mundo já jogou o país no lixo. A moral nacional hoje em dia resume-se no versinho humorístico que andou circulando pelo youtube: “Zé Dirceu, eu quero o meu.”

Do desprezo geral pela busca da verdade resulta a ausência completa da ação soviética na imagem popular das décadas de 60-70. No entanto, em 1964, a KGB tinha na sua folha de pagamentos, entre milhares de profissionais de várias áreas, pelo menos uma centena de jornalistas brasileiros. Algum “pesquisador” tentou descobrir seus nomes, saber se ainda estão por aí, perguntar quanto embolsaram em dinheiro extorquido de uma população escrava? Nada. Silêncio total. Com igual silêncio foi recebida minha sugestão de que algum dos (des)interessados entrevistasse Ladislav Bittman, o espião tcheco que confessou ter falsificado documentos para dar a impressão (até hoje aceita como pura verdade histórica) de que os EUA planejaram e comandaram o golpe de 1964.

Em compensação, a CIA é onipresente. No imaginário popular, funcionários dessa agência americana pululavam no Brasil, espionando, comprando consciências, tramando a morte de inocentes comunistas. É por isso que ninguém quer entrevistar Ladislav Bittman. O chefe da espionagem soviética no Brasil lhes contaria que na ocasião do golpe a KGB, o maior serviço secreto do mundo, não conseguiu localizar um só agente da CIA lotado no país, apenas um solitário homem do FBI, o único nome que sobrou para ser usado naqueles documentos forjados. De um só lance, rolariam por terras bibliotecas inteiras de teoria esquerdista da conspiração, ração diária servida aos cérebros inermes de milhões de estudantes brasileiros. É vexame demais. Ocultar essa parte da história é uma questão de honra.

Lição de diplomacia

Olavo de Carvalho

Diário do Comércio, 26 de abril de 2011

As mensagens confidenciais da embaixada americana sobre a queda do presidente hondurenho Manuel Zelaya, recentemente reveladas pelo Wikileaks, são um resumo didático de como funciona a política externa dos EUA hoje em dia.

Desde os primeiros momentos o embaixador, Hugo Llorens, toma partido em favor de Zelaya: “Os militares, a Suprema Corte e o Congresso nacional conspiraram em 28 de junho (2009) naquilo que foi um golpe inconstitucional e ilegal contra o Executivo. Na nossa perspectiva, não há dúvida de que a ascensão de Roberto Micheletti ao poder foi ilegítima.”

Já conhecemos essa lógica. Se o presidente removido do cargo por uma decisão conjunta da Suprema Corte e do Congresso é de direita, seu impeachment é uma decisão legal irretocável. Se é de esquerda, é golpe de Estado. Pouco importa que em seguida venham eleições regulares e os supostos golpistas entreguem pacificamente o poder ao presidente eleito, como aconteceu em Honduras. Golpe de Estado é, golpe de Estado será eternamente.

Mas, no caso, houve um detalhe a mais. O corpo diplomático americano em Honduras já odiava Roberto Micheletti desde muito antes do “golpe”, e já estava preparado para tomar posição contra ele qualquer que fosse o curso posterior dos acontecimentos.

Qual o problema com Micheletti? Numa mensagem confidencial assinada em 20 de agosto de 2008, o subchefe da missão diplomática americana em Tegucigalpa, Simon Henshaw, acusava-o daquilo que, aos olhos do Departamento de Estado, é o mais imperdoável dos crimes: ser “um rábido anticomunista” (v. http://www.hondurasweekly.com/international/3552-wikileaks-micheletti-made-pact-with-zelaya-on-alba).

Dificilmente, na mídia e no establishment americano, alguém escreve a palavra “anticommunist” sem fazê-la anteceder do adjetivo “rabid”, que quer dizer hidrófobo, infectado de raiva canina, extremista, demente perigoso, pronto a matar pessoas a dentadas em nome de abomináveis crenças reacionárias. O efeito do rótulo incansavelmente repetido é infalível. Todos os anticomunistas são rábidos, tal é a crença geral. Babam, rosnam e dilaceram suas vítimas num paroxismo de ódio insano. Os comunistas, não. Não existe no vocabulário das altas esferas a expressão “rabid communist”. Eles mataram 140 milhões de civis com uma serenidade imperturbável, movidos pelo puro amor à humanidade, sem derramar uma só gota de saliva. Aliás, para que saliva, no meio de tanto sangue?

Não obstante explicasse a conduta do então presidente da Assembléia Nacional hondurenha pelas chamas da paixão ideológica que o consumia, Henshaw, sem notar aí a mínima contradição, qualificava-o, por outro lado, como um oportunista ambicioso sem convicão própria, ávido apenas de poder, pronto a todas as concessões, inclusive aos comunistas, caso fossem do seu interesse. Micheletti, segundo Henshaw, estaria até mesmo disposto a apoiar a proposta chavista da Alternativa Bolivariana para a América Latina (ALBA) se isso lhe rendesse alguns votos. Estranha hidrofobia, essa, cujos sintomas recuavam ante o mero pensamento de vantagens hipotéticas.

Mas Henshaw não parava por aí. Micheletti, segundo ele, era tão leviano que, por qualquer vantagem, abdicaria não somente de suas convicções, mas do último resíduo de honra pessoal:

“Ele é sequioso de poder, e seu desejo de tornar-se presidente é supremo. Ele viu sua candidatura e seus números nas pesquisas escapulirem de suas mãos e parece estar tão desesperado que incluiria até narcotraficantes e outros corruptos na sua chapa, só para conseguir dinheiro e apoio.”

Já viram um fanático menos fanático?

Curiosamente, nem Henshaw nem seu chefe, Hugo Llorens, pareciam enxergar nada de imoral em condenar um homem pela conjeturação imaginária de possíveis delitos futuros, e dar respaldo a outro a despeito de delitos então já cometidos e bem comprovados.

Àquela altura, Manuel Zelaya já estava, como continuou estando ao longo da crise, bem garantido pelo apoio do Foro de São Paulo, a coordenação estratégica do comunismo latino-americano, organização em cuja liderança brilhavam, ao lado do nosso então presidente Lula, os líderes das Farc, senhores absolutos do narcotráfico no continente.

Henshaw e Llorens, com toda a evidência, são homens desprovidos de sã consciência moral, incapazes de julgar as coisas com equanimidade e senso das proporções. Intoxicados pelo preconceito irracional contra todo anticomunismo e pela idealização bocó da esquerda mundial, dois vícios endêmicos nas esferas chiques da vida americana, jogaram todo o peso da influência do seu país em favor de um bandido apoiado por narcotraficantes, assassinos e seqüestradores, enlameando ao mesmo tempo a reputação de um inocente contra o qual nada sabiam além daquilo que conjeturavam em fantasia.

Roberto Micheletti, junto com mais algumas pessoas que nada tiveram a ver com os acontecimentos e cujo único crime é serem seus amigos e parentes, está até agora proibido de entrar nos EUA, que recebem Hugo Chávez e Mahmud Ahmadinejad de braços abertos.

Que ganhou a nação americana com isso? Ganhou o desprezo dos anticomunistas e a ira dos comunistas, sempre orgulhosos de sua ingratidão para com os “companheiros de viagem” dos quais só conseguem arrancar uma parte, não a totalidade do que desejam. Por não terem reconduzido Zelaya à presidência por um ato de força (todas as intervenções imperialistas são iguais, mas algumas são mais iguais que as outras) e por haverem se contentado em aceitar o resultado das eleições, que aliás levaram ao poder um virtual protetor de Zelaya, os EUA foram acusados, por toda a esquerda latino-americana, de cumplicidade com o “golpe de Estado”. Comunista é assim: se você lhe oferece uma mão, tem de lhe dar as duas, mais os pés, a cabeça, o coração, a alma, a bolsa e a vida, caso contrário ele vai afogar você num mar de cusparadas. Ser comunista é rentável, mas o emprego de companheiro de viagem deveria pagar adicional de insalubridade.

Henshaw e Llorens fizeram jus ao dinheiro que recebem do contribuinte americano, trabalhando em favor do mal e da mentira e jogando todo mundo contra o seu país? Não sei, nem me cabe responder. Não sou um contribuinte americano. O dinheiro não é meu.

O homem invisível

Olavo de Carvalho

Diário do Comércio, 19 de abril de 2011

A controvérsia dos documentos inacessíveis, incognoscíveis e intocáveis de Barack Hussein Obama, que a mídia conseguiu abafar na base das chacotas, da rotulação caluniosa e da intimidação direta, voltou ao primeiro plano graças ao pré-candidato republicano à presidência, Donald Trump. O bam-bam-bam dos imóveis, além de ter dinheiro suficiente para não se intimidar com o bilhão de dólares da campanha de Obama (a maior verba de propaganda eleitoral da História), ainda conta com um trunfo decisivo: ele tem todos os seus documentos em ordem e sabe exibi-los de modo a espremer o concorrente contra a parede mediante a pergunta irrespondível, hoje espalhada em cartazes por todo o território americano: “Where is the birth certificate”? Se John McCain tivesse feito isso, não só teria vencido as eleições, mas teria jogado a carreira do seu adversário na lata de lixo. Obama seria agora conhecido como aquilo que realmente é: um pequeno vigarista que grandes picaretas colheram na rua para um servicinho sujo porque, malgrado sua absoluta falta de qualidades, tinha o physique du rôle: a cor da pele politicamente oportuna, uma bela voz para ler discursos no teleprompter e, melhor que tudo, a perfeita vulnerabilidade a chantagens em razão de sua falta de documentos e da sua biografia falsificada.

Desde o início da campanha, afirmei que a identidade de Obama, muito mais que suas idéias e propostas, era o ponto digno de atenção, porque a conduta de um homem no poder não depende do que ele diz em favor de si, mas de quem ele realmente é. Ora, as idéias e palavras de Obama foram abundamente alardeadas, debatidas, enaltecidas e esculhambadas, mas querer saber algo da identidade da criatura para além da publicidade oficial tornou-se reprovável, pecaminoso, um tabu na mais plena força do termo. A grande mídia inteira, a classe política dos dois partidos, os astros e estrelas de Hollywood e batalhões de burocratas zelosos uniram-se para esse fim. Nunca uma blindagem tão forte e uma guarda-de-ferro tão intolerante se ergueram para proteger da curiosidade pública, como se fosse um tesouro sagrado, o passado sujo de um embrulhão.

Esse passado inclui, entre outros mil e um vexames mal encobertos, uma história familiar toda falsa, onde praticamente nenhuma declaração do personagem confere com os documentos existentes nem com os testemunhos de terceiros; a carreira universitária financiada por um bilionário saudita pró-terrorista, até hoje não se sabe com que propósito; mil e uma relações íntimas com organizações comunistas e radicais; a militância nas hostes de Saul Alinsky, empenhadas em desmantelar a previdência social e o sistema bancário para apressar o advento do socialismo; a inscrição num partido socialista, mil vezes negada em tom de dignidade ofendida, até que apareceu a carteirinha de militante e não se falou mais nisso; a fraude literária dos dois livros que lhe granjearam a fama de grande escritor, e que hoje se sabe terem sido escritos por seu amigo William Ayers; o mistério, tipo “exterminador do futuro”, do alistamento militar assinado em 1988 num formulário impresso em 2008; a fortuna gasta com advogados para esconder praticamente todos os documentos pessoais que, bem ao contrário, cada candidato à presidência tem a obrigação de exibir ao público e aliás todos sempre exibiram. E assim por diante.

Como é possível que, com uma biografia tão escandalosamente suspeita, um político seja imunizado pelo establishment inteiro contra qualquer tentativa de descobrir quem ele é? Quem, entre as altas hierarquias de demônios, decretou que o país mais poderoso do mundo tem de aceitar um desconhecido como presidente, reprimindo a tentação de fazer perguntas?

O episódio da certidão de nascimento é só uma onda a mais num tsunami de obscuridades ante o qual o eleitorado só tem o direito de guardar respeitoso silêncio, cabisbaixo e compungido como se a trapaça grosseira fosse um mistério sacral.

Obrigar um povo a suportar isso, sob pena de rotulá-lo de “racista”, é com certeza a exigência mais prepotente, a chantagem psicológica mais descarada de todos os tempos.

Porém, uma vez que esse povo aceitou votar na cor da pele sem perguntar o que vinha dentro da embalagem, ele terá de continuar cedendo e cedendo até à abjeção total, pois deu ao homem da raça ungida o direito de lhe impor qualquer exigência danosa e absurda sem deixar de estar, jamais, acima de qualquer suspeita.

O muro de proteção erguido em torno de Obama não foi desmontado depois das eleições. Cresceu e tornou-se mais forte, a guarda-de-ferro mais agressiva, ao ponto de que praticamente nada do que o homem tem feito de maligno e fatal contra seu país chega jamais ao conhecimento do povo que o elegeu. O bloqueio é completo, o controle do fluxo de informações é tão rígido e intolerante quanto a censura soviética ou nazista, com a diferença de que só vigora na grande mídia, deixando vazar informações na imprensa nanica e no rádio e buscando, segundo os ditames da engenharia social de ponta, não um utópico estrangulamento total mas apenas o domínio eficiente dos resultados estatísticos gerais.

No WorldNetDaily da semana passada, o colunista Craig R. Smith pergunta, perplexo: “Como pode Obama sair-se bem fazendo o que faz, sem que jamais se ouça um pio da grande mídia?”

O preço da gasolina e o débito nacional duplicaram desde que ele subiu à presidência, e nem um só jornal ou canal de TV dá o menor sinal de ter percebido que algo aconteceu. Ele demite 87 mil trabalhadores da indústria de petróleo numa só canetada, e não se ouve um soluço. Ele manda bombardear a Líbia sem a autorização do Congresso, e só o que se vê são louvores ao seu humanitarismo. Três trilhões de dólares da verba de “estímulos” – sim, trilhões, não bilhões – são espalhados sem nome de destinatário, e é como se uma moeda de um quarter tivesse sumido do bolso de um garoto de escola. O homem dá um calote em milhares de credores legítimos da General Motors enquanto distribui bilhões a picaretas sindicais seus amigos, e, a crermos no New York Times, na CNN, no Los Angeles Times e similares, ninguém disse um “ai”. Ele destrói a olhos vistos o melhor sistema de saúde do mundo, e a voz de milhões de prejudicados não ressoa na mídia nem como um vago sussurro de descontentamento. Metade do mundo clama para ele devolver seu Prêmio Nobel da Paz, e nada desse grito de revolta chega ao conhecimento do público americano.

Sem a menor sombra de dúvida, Obama foi colocado na presidência com a missão de destruir seu país, mas aqueles que o nomearam não o largaram desamparado na arena. Cercaram-o de todas as proteções necessárias para colocá-lo a salvo não só de críticas, mas até de perguntas. Obama pode fazer o que quiser, por mais obviamente desastroso e maligno que seja. “Honni soit qui mal y pense.” Se, apesar disso, alguma informação ainda circula na internet ou no rádio, é só uma prova de que a falsificação perfeita não existe nem precisa existir. Quando Abraham Lincoln disse que não se pode enganar todo mundo o tempo todo, esqueceu-se de acrescentar que isso não é preciso: para obter os efeitos mais devastadores, basta enganar a maioria dos trouxas durante algum tempo – o tempo necessário para que a verdade, quando aparecer, já tenha de tornado apenas uma curiosidade de historiadores.

Quem quer que diante desse fenômeno, ainda imagine que a estrutura real do poder no mundo coincide com a hierarquia formal dos cargos públicos, com a ordem visível dos prestígios ou com as fronteiras geopolíticas convencionais, deve ser considerado um boboca incurável ou um espertalhão com agenda.

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