Olavo de Carvalho

25 de dezembro de 1999

Escrevi esta introdução, a pedido do embaixador Jerônimo Moscardo, para a edição romena de Casa Grande & Senzala, em curso de publicação pela Fundação Brasil-Romênia, Bucareste. — O. de C.

Foi o crítico paulista Antônio Cândido quem delineou a imagem consagrada com que Gilberto Freyre aparece, hoje, no panteão da memória nacional. Essa imagem está inseparavelmente associada à “redescoberta do Brasil” na década de 30, movimento que, assinalando um súbito florescimento das ciências sociais e a abertura de novas possibilidades para a compreensão da história nacional, encontrou suas expressões mais altas e mais típicas em três livros que se tornaram clássicos: Formação Histórica do Brasil, de Caio Prado Júnior, Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Hollanda, e Casa Grande & Senzala, de Gilberto Freyre.

O que havia em comum nesses três livros era a introdução, no estudo da sociedade brasileira, de novos métodos de investigação importados dos centros criadores do pensamento mundial. Caio Prado Jr. trazia a primeira interpretação marxista mais consistente (porque inconsistentes já havia muitas) das bases da nossa formação; Buarque de Hollanda aplicava à compreensão da realidade brasileira os instrumentos da nova escola histórica francesa; Gilberto, os da moderna ciência antropológica norte-americana, adquiridos de Franz Boas na Columbia University.

Somadas, essas contribuições davam um giro considerável nos estudos sociais brasileiros, até então dominados pela mentalidade oitocentista do positivismo (mais de Littré que de Comte) e do evolucionismo (mais de Spencer e de Haeckel que de Darwin), interpretados, além disso, mais à luz de intuições literárias improvisadas que de uma discussão científica pesada.

Os efeitos dessa renovação do pensamento propagaram-se muito além dos círculos acadêmicos. Ajudaram a moldar as correntes políticas que então se formavam na esteira da Revolução de 1930 chefiada por Getúlio Vargas, movimento autoritário e nacionalista, mas rico de promessas graças à sua própria ambigüidade constitutiva, na qual haveria lugar para o desenvolvimento de três linhas de influência ideológica reforçadas, se não geradas, pelos três livros de que estamos falando, embora nenhum de seus autores fosse adepto ex professo do regime produzido pela Revolução. É que, mais que um regime político, a “era Vargas”, malgrado todos os conflitos e mesmo as crueldades que a assinalaram, foi uma época de tomada de consciência da nacionalidade, um tempo de extraordinária autoconfiança patriótica que mudou o ritmo da nossa História e marcou, de uma vez para sempre, a fisionomia do Brasil. Uma de suas características mais fecundas — e certamente aí reside a explicação do brilho invulgar que rodeia sua imagem histórica — foi justamente sua capacidade de absorver na ideologia governamental, rapidamente e sem a menor reserva, todas as criações mais notáveis do pensamento, das artes e das letras. Vargas, homem culto e conhecedor certeiro da alma humana, não se contentava em proteger, desde fora e na posição de mecenas oficial, as manifestações da cultura. Ele as compreendia profundamente, com notável visão intuitiva da contribuição que cada uma, com as extremas diferenças individuais que as singularizavam, trazia à definição do perfil nacional. Assim, por exemplo, ele percebeu de imediato a extraordinária elevação de nível que a obra de Heitor Villa-Lobos trazia ao padrão musical brasileiro, e investiu o maestro de plenos poderes para implantar, em todas as escolas do país, o ensino do canto coral. Ao mesmo tempo, promoveu o samba dos morros cariocas ao estatuto de síntese da musicalidade popular brasileira — um papel que esse ritmo, na verdade apenas uma das centenas de expressões regionais num país que é talvez o mais variado do mundo sob esse aspecto, conserva até hoje perante o mundo. Considerada enquanto símbolo da nacionalidade, a mulata sambando na avenida é, a rigor, uma invenção de Getúlio Vargas. Ao mesmo tempo que fomentava as ciências e a discussão filosófica, cercando-se de homens de gênio como o jurista Francisco Campos e o filósofo Djacir Menezes, estendendo a proteção oficial dos cargos públicos até mesmo aos escritores mais notoriamente hostis ao regime, como Graciliano Ramos — comunista libertado da prisão por iniciativa pessoal do presidente —, Vargas incentivava a produção de comédias cinematográficas, as célebres “chanchadas” dos estúdios Atlântida — de uma graça despretensiosa que ainda hoje faz rir.

Definir e realçar a personalidade da nação foi uma das preocupações centrais do governo Vargas — e aqui os três livros que mencionamos desempenharam papéis essenciais. O de Buarque de Hollanda forneceu ao regime um dos temas principais do seu discurso ideológico: o conceito da “cordialidade” como o traço singularizador do povo brasileiro. O termo, que expressa eficazmente a primeira impressão que todo visitante tem da conduta nacional, suscitou polêmicas sem fim e, em tempos mais recentes, teóricos interessados em enfatizar a “violência do sistema” para legitimar a violência revolucionária têm denunciado a “cordialidade” como um mito criado pela propaganda oficial de Vargas. A imputação é falsa. Buarque de Hollanda era um cientista sério e, ademais, um aristocrata paulista que não podia ver com bons olhos o regime do populista gaúcho. Se sua observação exata da conduta brasileira deu um argumento ao regime, isto prova apenas que as ditaduras às vezes podem dizer a verdade.

O livro de Caio Prado Jr. pareceria, dos três, o menos assimilável. Mas o alinhamento tático dos comunistas com a burguesia nacionalista, estritamente seguido pelo autor, fez com que a análise marxista da nossa História se tornasse um argumento em favor da industrialização do país, então iniciada por empresários de São Paulo com o apoio de um governo fortemente imbuído das idéias protecionistas do economista romeno Mihail Manoilescu. Da Formação do Brasil Contemporâneo, as classes dirigentes, com a anuência tácita dos comunistas, só absorveram o que trazia água ao moinho de Manoilescu, deixando a luta de classes para depois.

Finalmente, o livro de Gilberto trazia ao governo Vargas a peça mais importante do seu discurso nacionalista: um anti-racismo solidamente fundamentado e a defesa entusiástica da miscigenação, celebrada como causa da singularidade brasileira, numa linha que depois seria adotada também, com belicosa e sarcástica eloqüência, por Darcy Ribeiro, também antropólogo. E se Gilberto agiu como puro descendente intelectual de Franz Boas, sem qualquer interesse político num regime a que em seguida viria a se opor abertamente como deputado eleito por um partido liberal, Darcy, por seu lado, se tornaria o principal teórico e mentor do governo nacional-esquerdista de João Goulart, o principal herdeiro ideológico de Getúlio Vargas.

Num ambiente em que o evolucionismo anglo-saxônico aliado à moda racista germanizante fazia a elite olhar com crescente desânimo a nossa população de mestiços, a prova gilbertiana da eficácia da adaptação de mulatos e cafuzos ao trabalho nos trópicos despertou subitamente a consciência do valor da nacionalidade e criou uma atmosfera de orgulho e esperança que muito contribuiu para os ambiciosos planos reformistas do governo Vargas.

Considerados como expressão “do seu tempo”, esses três livros marcaram portanto (1o.) a inauguração do nacional-progressismo como ideologia dominante das elites intelectuais brasileiras; (2o.) a independência das ciências sociais brasileiras em relação a suas fontes tradicionais oitocentistas, e o início de uma nova era marcada pela influência predominante da escola histórica francesa, do marxismo e da antropologia norte-americana.

Assim situado historicamente, Gilberto Freyre, com todas as honras de pioneiro que ninguém lhe nega, pôde ser facilmente datado, catalogado e embalsamado. Quando Antônio Cândido celebra a leitura de Casa Grande & Senzala nivelando-a à dos outros dois livros e fechando-a no nicho das influências decisivas que formaram sua própria geração, a glória máxima do homenageado reduzia-se enfim à de precursor do homenageante. Mas Antônio Cândido não punha, nisso, a menor pretensão pessoal. Homem discreto e sutil, afinado com os seus colegas de ofício, falava em nome de sua geração. Que geração? A dos antigos estudantes que agora, na data em que ele escrevia, se haviam tornado professores e dominavam a maior universidade brasileira — a de São Paulo —, aí implantando, aos poucos e com as mais escrupulosas precauções acadêmicas, a hegemonia marxista que hoje, consagrada, já se escancara sem precaução ou escrupulosidade alguma.

Que a ambígua homenagem de Antônio Cândido objetivava no fim das contas contribuir apenas para esse resultado, neutralizando polidamente qualquer resistência que pudesse inspirar-se no democratismo liberal de Freyre, é algo que se vê pela continuação imediata da história. Após esse prefácio marcante, logo a primeira manifestação da USP a respeito de Gilberto Freyre toma a forma de uma pretensa Aufhebungmarxista do seu pensamento. Ideologia da Cultura Brasileira, de Carlos Guilherme Mota, tirava a conclusão lógica dos postulados de Cândido: se Gilberto tinha sido a expressão da ideologia nacionalista de uma época extinta, essa expressão, considerada no fio do tempo, nada mais podia significar senão uma etapa dialética em direção ao reino uspiano das luzes; e Gilberto, não aderindo à nova corrente, sobrevivera-se a si mesmo e esclerosara-se no reacionarismo, como o provava seu recente apoio ao regime militar, bête noire da intelectualidade esquerdista e da USP em particular. Reconhecendo a presença de sementes “progressistas” no ventre da obra gilbertiana, Mota diagnosticava sua coexistência dialética com outras tantas “reacionárias”, para em seguida colocar-se a si mesmo (e, como perfeito cavalheiro, a seus colegas de universidade) entre os frutos das primeiras, cabendo a Gilberto em pessoa o papel de joio do seu próprio trigal.

Assim, a USP passava, sutilmente, da homenagem ambígua à condenação explícita. Que ao mesmo tempo um homem de idéias bastante similares às de Gilberto — Darcy Ribeiro — fosse poupado de equivalente vexame, graças ao fato de ter-se alinhado aos inimigos do regime militar, mostra até que ponto as idéias no Brasil podem ser julgadas não pela sua veracidade ou falsidade intrínsecas, mas pelas atitudes políticas de ocasião que, com ou sem relação com elas, seus autores venham a assumir. E tão estupidificada pela politização se encontrava o debate público, que ninguém pareceu se dar conta de que, se os dois teóricos máximos da miscigenação brasileira, em tudo e por tudo nela concordes, podiam ter optado por dois campos políticos opostos, era porque, obviamente, essa teoria não falava em favor de um campo ou de outro e não cabia julgá-la politicamente. Mas dizer isto é, ainda hoje, e tragicamente cada vez mais, para um desses campos a prova de que estamos no outro e de que, como inimigos, no sentido que Carl Schmitt dá ao termo, não devemos ser admitidos no debate intelectual.

Gilberto Freyre, homem avesso a disputas ideológicas, reagiu ante esse fenômeno como puro cientista social, investigando as causas que podiam levar homens de formação científica — e da melhor formação — a perverter o aparato conceitual da ciência em puro instrumento de retórica sectária. Foi daí que surgiu, na terminologia sociológica freyreana, o conceito do “intelectuário”, misto de intelectual e funcionário — do Partido, do Estado, da seita religiosa.

Toda a interpretação intelectuária do pensamento de Gilberto Freyre nasce de um erro de perspectiva: toma como centro e ápice da obra interpretada o que é centro dos interesses do intérprete. Casa Grande & Senzala, que para seu autor era apenas um primeiro ensaio aplicativo de um método ainda em fase de concepção, tornou-se, graças ao impacto que obteve sobre uma determinada geração de leitores, a última palavra de Gilberto Freyre. À luz deste livro, ou à sombra dele, foi compreendido o restante do empreendimento freyreano, inclusive nos desenvolvimentos teóricos mais elaborados e consistentes que viria a alcançar nos dois volumes da Sociologia (1945) e nas aplicações mais avançadas de Além do Apenas Moderno (1973). Em vez de subordinar as etapas ao sentido do conjunto, ordenado segundo a enteléquia que o primeiro livro do autor apenas insinua, inverteu-se a prioridade, fazendo do começo o fim e o limite e tornando invisível, ou irrelevante, tudo o que veio depois.

Muito contribuiram para esse efeito, de um lado, as qualidades estilísticas do livro, decerto um dos escritos mais realizados do autor, literariamente, e, de outro lado, a hegemonia que a geração de leitores representada por Antônio Cândido exerceu sobre a opinião média do leitor culto brasileiro, exceto na província natal de Freyre, esse Pernambuco tão forte no caráter quanto independente nas idéias e incapaz de vergar-se à opinião dominante nos centros mais prósperos e ruidosos. Não é exagero dizer que, se todo o Brasil leu Casa Grande & Senzala, só os intelectuais pernambucanos — um Pessoa de Moraes, um Vamireh Chacon — meditaram profundamente as lições posteriores de Gilberto Freyre, chegando a apreender o sentido global da arquitetônica em que esse livro se inseria como pedra inaugural e não como fecho de abóbada, enquanto os sulistas e especialmente os paulistas se cerravam na retrovisão congelada, hipnótica, do impacto inicial de 1933.

É evidente que Casa Grande & Senzala, por si, já trazia em germe toda a ciência freyreana, mas, como dizia Hegel, quando perguntamos o que é um carvalho não nos contentamos com que alguém nos mostre uma bolota. O sentido pleno desse grande livro, só o conquista quem consinta em examiná-lo à luz de tudo o que dele foi provindo, aos poucos, no curso de uma carreira de cientista, pensador e escritor que foi marcada pela auto-renovação constante numa linha de fidelidade a um projeto inicial. Aí revela-se que esse projeto não foi só o de renovar os estudos sociais brasileiros mediante a aplicação de novos métodos aprendidos no Exterior, especialmente de Franz Boas, mas, ao contrário, o de renovar toda a ciência social mundial mediante a invenção de métodos revolucionários, que ao mestre de Columbia deviam bem menos do que Casa Grande & Senzala, tomado isoladamente, daria a perceber.

De Franz Boas Gilberto aprendeu, em primeiro lugar, o comedimento extremo e quase tímido nas generalizações; em segundo lugar, a ponderação dos fatores culturais, psico-sociais, educacionais e médico-sanitários no exame das relações entre as raças, que acabava por neutralizar as pretensões de superioridade intrínseca de qualquer delas.

Isso, no Brasil de 1933, bastou para virar tudo do avesso, tornando em motivo de orgulho o que era motivo de descrença e fazendo de Casa Grande & Senzala o marco unanimente reconhecido de uma nova etapa não só das nossas ciências sociais, mas da nossa autoconsciência nacional.

Já é muito, para um livro só. Mas reduzir a esse primeiro capítulo a contribuição de Gilberto Freyre, fazendo do restante de sua obra apenas a acumulação de detalhes comprobatórios a uma tese já vitoriosa, é, francamente, ocultar uma vida de glórias sob a sombra de uma juventude promissora.

No conjunto, a obra de Freyre representa a constituição de toda uma nova ciência social — ou melhor, de um novo edifício inteiro das ciências humanas — com base no pressuposto ecológico, eco-histórico ou eco-cósmico, da unidade biológica da espécie humana e da unidade espacial do cenário onde se desenrola a sua história. É dessa dupla unidade, Homem e Terra, considerada na diferenciação dos tempos, das condições locais e das ações possibilitadas pela liberdade humana, que decorre a unidade múltipla das perspectivas que a ciência gilbertiana permite lançar sobre seu objeto. Recusando-se a estatuir entre os vários fatores determinantes da vida humana uma hierarquia a priori, ou mesmo a buscar essa hierarquia por indução, o método de Gilberto Freyre não se dissolve numa proliferação de enfoques díspares porque, no fim das contas, tudo é remetido de volta aos postulados iniciais — unidade planetária e unidade da espécie —, que tudo ordenam por si mesmos, espontaneamente, sem necessidade de qualquer camisa-de-força lógica para reduzir a uma unidade artificial a multidão dos fatos e visões.

Foi por ter-se situado desde o início nessa perspectiva ao mesmo tempo central e abrangente que Gilberto Freyre pôde tornar-se o inaugurador — nem sempre reconhecido — de tantos métodos e enfoques que, parecendo marginais e esquisitos na época, viriam mais tarde a se tornar universalmente dominantes. Já nas páginas de Casa Grande & Senzala o leitor comprovará que Gilberto, no início da década de 30, já praticava com a naturalidade de um velho conhecedor as técnicas interdisciplinares, o enfoque sistêmico, o holismo, a abordagem ecológica, a “história das mentalidades”, a “história da vida privada” e não sei mais quantos estilos de pensar que depois entraram na moda sob os nomes de outros autores. E basta comparar este livro com o tratado Sociologia para perceber que essa antecipação não foi apenas o golpe de sorte de uma inteligência notavelmente intuitiva, mas sim um esforço de ciência sistemática, fundada na mais explícita consciência dos problemas metodológicos envolvidos nessa tentativa pioneira e bem sucedida.

A mais cruel das homenagens que se pode prestar a um sábio, a um artista, a um filósofo, a um escritor, é enfatizar um de seus méritos parciais com o intuito de ocultar a grandeza maior do todo. O suprassumo dessa atitude reducionista é caricaturado no folclore literário brasileiro numa fala que se atribui ao sambista Ary Barroso, quando lhe perguntaram o que achava do maior dos compositores brasileiros, Heitor Villa-Lobos:

— Foi um grande jogador de bilhar.

Um dos traços mais repulsivos da mentalidade das classes letradas brasileiras é precisamente seu temor das alturas, sua inibição paralítica de reconhecer qualquer grandeza que suba acima daquele nível em que a palavra “gênio” pode ser aplicada, metonimicamente, a um sambista ou jogador de futebol. Admite-se, portanto, que Gilberto ou Villa-Lobos foram gênios… tanto quanto Mané Garrincha ou Chico Buarque. Mais que isso, para essa mentalidade, já é idolatria, “culto da personalidade”, devoção mórbida.

Esse tipo de homenagem amesquinhante foi abundantemente praticado com a figura de Gilberto Freyre, principalmente após sua morte, quando, calada a voz do maior dos nossos cientistas sociais, subiu ao palco uma geração de talentos menores empenhada em tudo nivelar à sua modesta estatura.

Não vejo o menor sentido em transigir com isso. Para mim, Gilberto é uma das encarnações permanentes do gênio brasileiro no que ele tem de mais alto e portanto de mais inassimilável à “cultura brasileira”, no sentido redutivo de medianidade típica que hoje se dá correntemente a essa expressão. Ele tem o perfil inconfundível de um sábio universal, de um supremo historiador e teorizador da vida social, alguém apenas menor que Weber e certamente maior que Braudel ou Hobsbawn.

Diante de tantas obras que reduzem a vida humana a uma de suas dimensões, a obra de Gilberto se notabiliza precisamente pela universalidade e abertura de suas perspectivas, às quais nada, nada do que é humano é indiferente.

Somente nessa escala é possível falar, sem figura de linguagem, de “ciência humana”. O que o leitor romeno vai encontrar neste livro é ciência humana no sentido mais forte e mais belo da expressão: uma ciência do homem feita na medida do homem. Não mais, nem menos.

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