Sapientiam Autem Non Vincit Malitia - Foto da águia: Donald Mathis Mande um e-mail para o Olavo Links Textos Informações Página principal

 

 

 

 

 

 

 

El mayor

Olavo de Carvalho
Dirio do Comrcio, 18 de novembro de 2015

          


O ex-presidente Lus Incio Lula da Silva leva uma vida invejavelmente rica e apaixonante, mas num ponto ele tem razo de se queixar: o homem mais incompreendido do Brasil.
Nunca um personagem foi to falado, comentado, analisado, louvado e achincalhado sem critrio nem senso de observao, sem comparaes objetivas nem conceitos descritivos apropriados. Cada um exerce ferozmente, a respeito dele, a paixo humana de juntar palavras no vazio para obter, da contemplao da mera ordem gramatical, a sensao voluptuosa de ter dito algo de importante.
Das muitas teorias que circularam sobre o personagem, talvez a mais imbecil seja aquela que o considerava um imbecil. Eu mesmo, confesso, me senti de incio tentado a julg-lo um incapaz, um trapalho de comdia da Atlntida.
Como tantos outros, fui levado a isso pela impresso da sua aparncia entre desleixada e grotesca, da sua retrica populista, das suas hediondas metforas futebolsticas, da sua dislalia renitente que trocava os “ss” por “ff”.
Mas nenhum homem pode ser julgado pela falta de qualidades que nunca lhe interessaram. preciso medi-lo pelo que ele tentou fazer e pelos resultados que obteve.
E o fato que, aps um comeo difcil, Lula veio caminhando de vitria em vitria, desnorteando os adversrios, articulando com mo de mestre os grupos mais heterogneos e os interesses mais incompatveis, at concentrar nas suas mos mais poder que qualquer dos governantes que o antecederam, reduzindo a p as oposies e transformando o Estado inteiro numa mquina dcil aos seus interesses partidrios. Isso ele quis fazer, e fez. Isso foi o objetivo da sua vida, e foi exemplarmente realizado. A seus inteligentssimos e refinadssimos desafetos s restou, como prmio de consolao, a pose de desprezo fingido, camuflagem do dio impotente.
Como seria possvel um tolo grosseiro ter uma carreira to espetacular?
A impresso visual era, sem dvida, enganosa. Se comparassem o homem com personagens reais, em vez de modelos de perfeio estereotipados, perguntariam: afinal, que encantos fsicos ou indumentrios possua Josef Stlin? Que grandes tesouros de cultura havia na cabea de Benito Mussolini? E qual o problema com os “ss” e “ff”, se Lnin jamais conseguiu pronunciar o “r” russo e seus discursos soavam como fala infantil?
No mesmo intuito de depreciar o que no se consegue derrotar, mas indo um pouco alm na presuno interpretativa, muitos liberais brasileiros, esses tipos sublimes, se viram levados a classificar Lula como “populista” porque lhes parecia inculto demais para ser comunista.
“Como falar em marxismo se Lula sequer leu uma pgina de Marx?”, perguntava o  indefectvel Marco Antnio Villa, que no perde uma oportunidade de julgar o que no conhece (aqui).
A premissa embutida na pergunta que o lder comunista tem de ser um intelectual, capaz de orientar-se no mare magnum de O Capital e dar lies eruditssimas sobre as trs leis da dialtica materialista. Um tipo como Plekhanov ou Caio Prado Jnior.
Mas isso a viso de um observador leigo. Dentro do movimento comunista, ao contrrio, a condio de intelectual sempre foi um handicap, um sinal de alerta para o risco de hesitaes pequeno-burguesas.
Credencial infinitamente mais prezada do que isso era a origem proletria puro-sangue. Nos meios comunistas brasileiros, atulhados de intelectuais pequeno-burgueses, a chegada de um genuno lder operrio recm-importado diretamente do ABC foi uma lufada de ar fresco, uma festa e um anncio de melhores dias.
Em contraste com o sr. Villa, quem estudou a histria do comunismo deve lembrar-se da figura do general Fernando Flores Ibarra, um dos lderes mximos da Revoluo Cubana, amigo ntimo e homem de confiana de Fidel Castro, alm de responsvel maior pela matana de opositores, o que lhe rendeu o gentil apelido de “Charco de Sangre”.
Pois bem, Flores no entendia uma palavra de marxismo-leninismo, no conseguia sequer ler Marx e Engels e, rindo muito, at se gabava disso em pblico.
Se um exemplum in contrarium no basta para impugnar a validade de um modelo geral, cabe lembrar o papel essencial desempenhado, no movimento comunista da frica do Sul, por hordas de trabalhadores recm-egressos do meio tribal, que um historiador descreveu como “incultos, mas possuidores de um elevado senso de solidariedade comunista” (A. B. Davidson, South Africa and the Communist International: Bolshevik Footsoldiers to Victims of Bolshevisation, 1931-1939, Psychology Press, 2003).
“Inculto, mas possuidor de um elevado senso de solidariedade comunista” quase uma descrio literal do Lula. Foi ele quem, atravessando toda sorte de crises internas, conseguiu criar e salvar sempre a unidade do seu partido, depois a de um pool de partidos aliados sem afinidade ideolgica nenhuma, por fim a da esquerda latino-americana inteira.
No h militante que, ouvindo-o dizer “Companheiros!” no se sinta includo no grande abrao solidrio de uma imensa comunidade combatente.
Um lder poltico no se julga pelo seu grau de cultura letrada, nem pelas suas convices ntimas, que permanecem para sempre impenetrveis, mas pelas foras histricas reais que ele encarnou e s quais imprimiu indelevelmente a sua marca pessoal.
Quando Barack Hussein Obama disse de Lula “Esse o cara!”, ele sabia que estava diante da imagem suprema do comunismo latino-americano.
Aps ouvir as ponderaes de tarimbados comunistas alemes sobre o fracasso do socialismo chileno, Roberto Ampuero escreveu:
“Convenci-me ento de que a esquerda chilena tinha sido guiada por polticos amadores e irresponsveis, por marxistas de salo afetados de incontinncia verbal, por idelogos capazes de persuadir o seu pas a dar um salto no vazio, por lderes incapazes de desenvolver um projeto vivel e sustentvel.”
O mesmssimo diagnstico aplica-se com perfeio ao governo Joo Goulart: bravatas, radicalismo verbal histrico, inabilidade de concentrar poder por meio de alianas e negociaes – precisamente as falhas das quais no se pode acusar o sr. Lula.
A imagem que o sr. Villa e similares tm do comunista tpico corresponde precisamente daquilo que os comunistas de verdade chamam de “marxista de salo”.
Da deriva um segundo erro monumental na imagem que pintam do sr. Lula. Poucas coisas neste mundo me irritam, mas uma delas ouvir esquerdistas e direitistas – sempre unnimes na estupidez – dizerem que “Lula traiu seus  ideais”.
Uns tentam, com esse artifcio verbal, salvar a honra da esquerda, maculada pelo descrdito atual do lder.
Os do outro lado nem percebem que os ajudam nisso ao medir o chefe do Mensalo na rgua dos seus prprios valores proclamados, danando a reputao dele mas consagrando esses valores como medida absoluta das aes humanas e concedendo ao adversrio uma vitria ideolgica geral duradoura em troca de uma vantagem pontual momentnea.
Em ambos os casos, puro fingimento histrico: uns e outros no raciocinam a partir dos fatos e da Histria, mas das impresses que desejam incutir na platia, das quais, para maior verossimilhana do efeito, tratam primeiro de imbuir-se a si prprios. No so analistas polticos, so marqueteiros, interessados apenas nos resultados imediatos, totalmente insensveis aos fatores de longo prazo.
Para quem raciocina com base no esteretipo do “idealismo comunista” – uma autoprojeo do esprito pequeno-burgus que nada tem a ver com a realidade dos partidos comunistas --, parece lgico que, se um poltico de esquerda vai para cama com grandes capitalistas, comete adultrio, macula a pureza dos seus “ideais”.
Na histria real do movimento comunista, ao contrrio, todo idealismo considerado uma debilidade pequeno-burguesa, e a recusa de fazer alianas necessrias concentrao de poder um pecado mortal.
“Se voc tem quatro inimigos – dizia Lnin --, alie-se com trs contra o quarto, depois com dois contra o terceiro, depois com um contra o segundo.”
Quanto intimidade com o grande capital, Stlin, nos anos 30, recomendava ao partido comunista dos EUA que deixasse de lado os proletrios e tratasse de conquistar os coraes e mentes dos ricos e importantes (V. Stephen Koch, Double Lives).
Foi isso o que mais tarde garantiu URSS o afluxo de dinheiro americano com que se construiu o parque industrial blico sovitico em tempo de reagir com sucesso invaso alem.
Concentrar poder por todos os meios possveis Como o rtulo de “intelectual de esquerda” j esteve associado a escritores do porte de um lvaro Lins e de um Srgio Milliet, bom advertir que, usado hoje em dia, ele s guarda com o seu objeto a relao distante de um ser vivo com a sua miniatura de plstico.
Nesse sentido, o sr. Mauro Lus Iasi corresponde aproximadamente quilo que, nos meios comunopetistas, se entende por esse termo na atualidade.
No lhe faltam, com efeito, os traos essenciais que definem o tipo: um cargo acadmico, o total desconhecimento dos assuntos em que pontifica e a presuno de superioridade moral, quando no intelectual.
At pouco tempo atrs, ele no passava de um objeto de consumo interno dos crculos esquerdistas, mas recentemente alcanou notoriedade mais ampla, no mediante algum feito literrio ou cientfico, mas graas sua proposta singela de matar todos os direitistas.
Como alguns deles lhe respondessem que seria melhor aplicar esse remdio a ele mesmo, ele imediatamente considerou isso uma prova a mais da tpica truculncia direitista em confronto com o arraigado pacifismo humanista da esquerda, sem nem sequer ponderar a diferena entre os coeficientes de truculncia requeridos para matar um s e para matar todos.
Com aqueles ares de inocncia ofendida sem os quais muito difcil subir na vida hoje em dia, ele explicou ainda que foi muitssimo mal interpretado, que seu desejo de matar no era nada disso, mas uma simples metfora potica extrada de um texto de Bertolt Brecht, no qual um proletrio enrag, discutindo com um burgus, demonstra que mat-lo apenas uma questo de justia.
“Para aqueles que no so muito afeitos a poemas e outras manifestaes da alma humana, -- escreve o sr. Iasi, com infinita piedade pelos pobres ignorantes -- bom explicar que no se trata de uma pessoa e outra conversando, muito menos uma posio pessoal. uma metfora de um encontro de classes numa situao dramtica, na qual a classe dominante se encontra diante da possibilidade de ser julgada por aqueles que sempre explorou e dominou.”
O estilo o homem. Desde logo, no trecho citado o que o proletrio sugere no apenas “julgar” a burguesia, isto , emitir uma opinio sobre ela, mas sim execut-la, mand-la para o outro mundo. A verso eufemstica do sr. Iasi no consegue camuflar o sentido patente do texto. Diante do burgus que se afirma um homem bom e justo, o revolucionrio promete:
“Em considerao aos seus mritos e boas qualidades, poremos voc diante de um bom muro, atiraremos em voc com uma boa bala de um bom revlver e enterraremos voc com uma boa p numa boa terra.”
ASSISTA AQUI:
O revolucionrio promete no apenas matar o burgus, mas humilh-lo post mortem fazendo chacota do seu cadver. O sr. Iasi confessa que conheceu o poema de Brecht s pela citao que encontrou  num livro de Slavoj Zizek, mas quem leu as obras do dramaturgo sabe que esse tipo de humorismo sardnico voltado contra as vtimas da violncia estatal comunista era um dos traos mais caractersticos do estilo brechtiano de escrever e de ser. Brecht no s aplaudiu entusiasticamente as tropas soviticas que afogaram num banho de sangue a rebelio popular berlinense de 1953, mas, quando algum alegou que os condenados nos famosos Processos de Moscou eram inocentes, ele respondeu: “Se eram inocentes, tanto mais mereciam ser fuzilados.”
A ironia macabra no era fora de expresso. Para a mentalidade comunista, a culpa ou inocncia pessoais do acusado eram, de fato, detalhes menores em comparao com a oportunidade urea de afirmar, mediante a prepotncia da execuo arbitrria, a autoridade suprema da Revoluo, que no devia satisfaes a ningum seno a si mesma.
A metfora, se o fosse, no era muito metafrica. Citar Brecht no contexto de um apelo radicalizao da luta esquerdista no de maneira alguma um adorno literrio inocente: sugerir que os comunistas faam aquilo que Brecht os ensinava a fazer e que alis eles sempre fizeram.
Mas, para piorar um pouco as coisas, no uma metfora. Metfora quando uma coisa significa outra coisa, por exemplo o leo significa o Sol ou o Sol significa o rei. Entre o signo e o significado h  uma diferena de espcie. Quando o sr. Iasi explica que “no se trata de uma pessoa e outra conversando, muito menos uma posio pessoal” e sim de “uma metfora de um encontro de classes numa situao dramtica”, ele s prova que no sabe o que metfora.
Na figura de linguagem que ele emprega, o proletrio e o burgus no significam coisas de outras espcies, mas sim as espcies respectivas a que eles realmente pertencem: o proletrio significa o proletariado, o burgus a burguesia. Isso no uma metfora de maneira alguma, uma metonmia – no uma relao analgica entre coisas especificamente distintas, mas a relao lgica entre a parte e o todo. O sentido do trecho citado no portanto o de uma ameaa de homicdio, mas de genocdio: no este proletrio que deve matar este burgus em particular, mas o proletariado como um todo que deve exterminar a burguesia inteira.
J uma palhaada deprimente que um sujeito que ignora a distino elementar entre metfora e metonmia pose de grande conhecedor da literatura e se dirija aos seus leitores como a um bando de iletrados que “no so muito afeitos a poemas”. Porm mais grotesco ainda que, ao tentar dar sua convocao truculenta os ares inofensivos de uma “metfora potica”, ele no percebesse que, com a ajuda de Brecht, estava confessando seu desejo de saltar da escala do homicdio para a do genocdio.
Raramente uma tentativa de fazer-se de coitadinho  resultou to flagrantemente numa confisso de culpa ampliada. Por isso que, quando me perguntam se algum comunista por burrice ou por maldade, respondo que por uma unio indissolvel das duas coisas. Nada emburrece mais do que o esforo contnuo de camuflar a prpria maldade sob um travesti de inocncia ofendida. E ningum se dedica a esse esforo com mais persistncia do que os comunistas.e imaginveis, inclusive mediante alianas com o “inimigo de classe”, a obrigao nmero um de todo lder comunista. O sucesso que Lula obteve por esse meio indiscutvel. E preciso ser uma espcie de PhD em idiotice para medir o coeficiente de comunismo na mente de um poltico com a rgua de um esteretipo moralista pequeno-burgus.
Mais idiota ainda recusar-se a chamar um comunista de comunista enquanto ele no declarar que o . Pois nada mais constante, na histria do comunismo, do que a sua persistncia em parecer outra coisa, em adornar-se com outros nomes: Front Popular, antifascismo, terceiromundismo, “no alinhados”, progressismo, trabalhismo, desenvolvimentismo, o diabo.
Porm o suprassumo da  cretinice contestar a fidelidade de Lula ao comunismo mediante a alegao de que um larpio, um corrupto.
Qual grande lder comunista no o foi? Qual no viver como um nababo enquanto seu povo comia ratos? Qual partido comunista subiu ao poder sem propinas, sem desvio de dinheiro pblico, sem negcios escusos, sem roubo e chantagem? Nada mais desprezvel, nos meios comunistas, do que o moralismo pequeno-burgus que se apega s regras da decncia formal em vez de seguir a moral marxista segundo a qual o bem o que aumenta o poder do Partido, o mal o que o diminui.
Corrupo? Ningum expressou melhor a atitude comunista quanto a esse ponto do que o poeta oficial do Partido Comunista francs, Louis Aragon: “Corromperemos o Ocidente a tal ponto, que ele vai comear a feder.” Ningum encarnou melhor esse propsito do que Lus Incio Lula da Silva.
Pelo critrio das aes objetivas, Lula entrar para a histria como o grande salvador e unificador no s da esquerda brasileira, mas do movimento comunista latino-americano, que sem ele teria ido para a lata de lixo na dcada de 90, como bem observou o comando das Farc em mensagem enviada ao dcimo-quinto aniversrio do Foro de So Paulo.
Lula pode no entender grande coisa de economia marxista, mas em matria de estratgia e ttica foi o maior dos maiores, um autntico mestre da duplicidade dialtica .
Chegou ao cume com uma habilidade impressionante, que o prprio Lnin aplaudiria, e cumpriu seu papel na transio revolucionria, instaurando a hegemonia, a concentrao poder poltico e econmico e o aparelhamento do Estado. Quem, na Amrica Latina inteira, conseguiu fazer mais?
Perto dele, Lus Carlos Prestes e Carlos Marighela foram apenas amadores trapalhes, especialistas em fracasso.
Comparem-no, at, com Fidel Castro. Aps um comeo espetacular, o ditador cubano, desde o fiasco da OLAS com suas guerrilhas, se encolheu condio de reizinho de um povo faminto e esfarrapado.
Esquecido do mundo, encalacrado na sua ilha, frustradas todas as suas ambies de revoluo continental, teria morrido entre espasmos de revolta impotente se Lula no o salvasse do isolamento mediante a idia genial do Foro de So Paulo, que realizou precisamente o que o generalssimo jamais conseguiu: elevar ao poder os partidos comunistas e pr-comunistas nos principais pases da Amrica Latina.
No de estranhar que essa construo to laboriosamente erigida comeasse a desabar justamente no instante em que Lula se retirou da presidncia da Repblica, deixando no seu lugar uma trapalhona autntica, e, debilitado pela velhice e pelas acusaes de corrupo, desacelerou suas atividades no Foro de So Paulo para dedicar tempo integral crise da esquerda local e aos seus prprios problemas com a Justia. Sem ele, a esquerda latino-americana tem os dias contados. Todas as suas glrias foram obra dele, e sem ele vo para o belelu.
De longe, e sob todos os aspectos, Lula foi o maior e mais eficiente lder comunista que a Amrica Latina j conheceu – o criador e guru de Chvez, Maduro, Morales e tutti quanti, o articulador da estratgia unificada continental. A direita jamais conseguiu derrot-lo porque jamais conseguiu compreend-lo. E no conseguiu compreend-lo porque insistia em descrev-lo com os chaves jornalsticos do dia, em vez de medi-lo na escala maior da Histria.
Nesse sentido, Lula foi, de todas as figuras pblicas do Brasil recente, a mais digna de respeito. No pelas suas virtudes morais, que inexistem, mas pela sua “virt” no sentido maquiavlico do termo: uma vontade de ferro aliada a uma flexibilidade estratgico-ttica totalmente desprovida de escrpulos e capaz, por isso mesmo, de dobrar a seu talante o curso da Histria, levando-a para onde bem deseja, ante os olhos atnitos de adversrios sonsos que no conseguem nem mesmo descrever o que ele est fazendo.
No somente em escala nacional, mas continental, o homem que nada sabia de marxismo conseguiu realizar o objetivo de Antonio Gramsci, elevando o seu partido s dimenses de “um poder onipresente e invisvel como o de um imperativo categrico, de um mandamento divino”.
Ningum, na poltica brasileira ou continental dos ltimos quarenta anos, pode se ombrear com ele em envergadura, em capacidade de ao eficaz, em amplitude das ambies realizadas.
Os que empinam os narizinhos para depreci-lo so como pulgas que criticam o cachorro que as transporta, sem saber para onde as leva.
Sim, ele merece respeito.  No mnimo, como num filme que vi h tempos, cujo ttulo me escapa, no qual o lder local de uma aldeia mexicana era to temido e respeitado que todos o chamavam de “El Mayor”. E s na intimidade, a uma distncia segura dos ouvidos do tirano, ousavam declarar o nome por extenso: “El Mayor Hijo de Puta”.

 



 

Bookmark and Share

Comente este artigo no frum:

http://www.seminariodefilosofia.org/forum/15