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A oligarquia contra o povo

Olavo de Carvalho
Dirio do Comrcio, 27 de agosto de 2015

          


Interrompo temporariamente as consideraes tericas da srie “Iluses democrticas” para analisar brevemente o atual estado de coisas.
A premissa bsica para se chegar a compreender a presente situao poltica do Brasil a seguinte: o PT no subiu ao poder para implantar o comunismo no Brasil, mas para salvar da extino o movimento comunista na Amrica Latina e preparar o terreno para uma futura tomada do continente inteiro pelo comunismo internacional.
fcil comprovar isso pelas atas das assembleias do Foro de So Paulo, o qual foi fundado justamente para a realizao desse plano.
Na operao, o Brasil exerceria no somente a funo de centro decisrio e estratgico, mas o de provedor de recursos para os governos e movimentos comunistas falidos.
No dcimo-quinto aniversrio do Foro, em 2015, o comando das FARC, Foras Armadas Revolucionrias da Colmbia, reconheceu em documento oficial que a fundao desse organismo pelo PT havia pura e simplesmente salvado da extino o comunismo latino-americano, debilitado e minguante desde a queda do regime sovitico.
Para a consecuo do plano, era necessrio que o PT no governo prosseguisse na aplicao firme e constante da estratgia gramsciana da “ocupao de espaos” e da “revoluo cultural”, aliando-se, ao mesmo tempo, a grandes grupos econmicos que pudessem subsidiar e consolidar, pouco importando se por meios lcitos ou ilcitos, a instrumentalizao partidria do Estado, o controle da classe poltica, a supresso de toda oposio ideolgica possvel e a injeo de dinheiro salvador em vrios regimes e movimentos comunistas moribundos.
Basta isso para explicar por que o ento presidente Lula pde ser, numa mesma semana, homenageado no Frum Social Mundial pela sua fidelidade ao comunismo e no Frum Econmico de Davos pela sua adeso ao capitalismo, tornando-se assim o enigmtico homem de duas cabeas que os “verdadeiros crentes” da direita acusavam de comunista e os da esquerda de vendido ao capitalismo.
Mas as duas cabeas, no fundo, pensavam em harmonia: a confuso ideolgica s podia favorecer aqueles que, por trs dos discursos e slogans, tinham um plano de longo prazo e a determinao de trocar de mscara quantas vezes fosse necessrio para realiz-lo.
O plano era bom, em teoria, mas os estrategistas iluminados do comunopetismo se esqueceram de alguns detalhes:
1. Dominando a estrutura inteira do Estado em vez de se contentar com o Executivo, o partido se transformou no prprio “estamento burocrtico” que antes ele jurava combater. J expliquei isso em artigo anterior (leia aqui).

2. O apoio dos grandes grupos econmicos o descaracterizava ainda mais como “partido dos pobres” e o identificava cada vez mais com a elite privilegiada que ele dizia odiar.
3. O uso macio das propinas e desvios de verbas como instrumentos de controle da classe poltica tornava o partido ainda mais cnico, egosta e desonesto do que essa elite jamais tivera a ousadia de ser. O PT tornou-se a imagem por excelncia da elite criminosa e exploradora.
4. O PT havia sido, na dcada de 90, a fora mais ativa nas campanhas que sensibilizaram o povo para o fenmeno da corrupo entre os polticos. Ele criou. Assim. a atmosfera de revolta e at a linguagem do discurso de acusao que haveriam de fazer dele prprio, no devido tempo, o mais odioso dos rus.
5. A “revoluo cultural”, a “ocupao de espaos” e a instrumentao do Estado deram ao PT os meios de fazer uma “revoluo por cima”, mas o deixaram desprovido de toda base popular autntica. Ao longo dos anos, pesquisas atrs de pesquisas demonstravam que o povo brasileiro continuava acentuadamente conservador, odiando com todas as suas foras as polticas abortistas e a “ideologia de gnero” que o partido comungava gostosamente com a elite financeira e com o “proletariado intelectual” das universidades e do show business.
Desprovidas as massas de todo meio de expressar-se na mdia e de canais partidrios para fazer valer a sua opinio, no corao do povo foi crescendo uma revolta surda, inaudvel nas altas esferas, que mais cedo ou mais tarde teria de acabar eclodindo plena luz do dia, como de fato veio a acontecer, surpreendendo e abalando a elite petista ao ponto de despertar nela as reaes mais desesperadas e semiloucas, desde a afetao grotesca de tranquilidade  olmpica at a fanfarronada do apelo s “armas” seguido de trmulas desculpas esfarrapadas.
A convergncia de todos os fatores produziu um resultado que s pessoas de inteligncia precria como os nossos congressistas, os nossos cientistas polticos e os nossos analistas miditicos no conseguiriam prever: quando a mdia pressionada pelas redes sociais e pela pletora de denncias judiciais desistiu de continuar acobertando os crimes do PT (voltarei a isto em artigo prximo), a revolta contra o esquema comunopetista tomou as ruas, nas maiores manifestaes de protesto de toda a nossa Histria e, mesmo fora dos dias de passeata, continuou se expressando por toda parte sob a forma de vaias e panelaos, obrigando os falsos dolos a esconder-se em casa, sem poder mostrar suas caras nem mesmo nos restaurantes.
As pesquisas mostram que o apoio popular ao PT hoje de somente um por cento, j que seis dos famosos sete consideram o governo apenas “regular”, isto , tolervel.
Como possvel que um partido assim desprezado, odiado e achincalhado pela maioria ostensiva da populao continue se achando no direito de governar e habilitado a salvar o pas mediante desculpinhas grotescas que, acusao de crimes, respondem com uma confisso de “erros”?
Em que se funda o poder que o PT, acuado e desmoralizado, continua a desfrutar? Esse poder funda-se em apenas quatro coisas:
1. O apoio da oligarquia cmplice.
2. A militncia subsidiada, cada vez mais escassa, incapaz de mobilizar-se sem o estmulo dos sanduches de mortadela, dos cinquenta reais e do transporte em nibus, tudo pago com dinheiro pblico.
3. O apoio externo, no s do governo Obama, dos organismos internacionais e de alguns velhos partidos da esquerda europeia, mas sobretudo do Foro de So Paulo, j articulado para mover guerra ao Brasil em caso de destituio do PT.
4. Uma militncia estudantil, tambm decrescente, que tudo far pelas grandes causas idealsticas que a animam: drogas e camisinhas para todos, operaes transex pagas pelo governo, banheiros unissex, liberdade de fazer sexo em pblico no campus, reconhecimento do sexo grupal como “nova modalidade de famlia” etc. etc.
A base de apoio do PT uma casquinha da aparncia na superfcie de uma sociedade em vias de explodir.
O nico fator que realmente mantm esse partido no poder o temor servil com que as foras ditas “de oposio” encaram uma possvel crise de governabilidade e, sob a desculpa da “legalidade”, e da “normalidade democrtica”, insistem em dar ao comunopetismo uma sobrevida artificial, encarregando a classe poltica de ajud-lo a respirar com aparelhos ou pelo menos a mat-lo s aos pouquinhos, de maneira discreta e indolor.
Mas que legalidade essa? Por favor, leiam:
Constituio Federal, Ttulo I, Art. V, pargrafo nico: “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente. ”
Ser que o “diretamente” no vale mais? Foi suprimido? Os representantes eleitos adquiriram o direito de decidir tudo por si, contra a vontade expressa do povo que os elegeu? S eles, e no o povo, representam agora a “ordem democrtica”?
Senhores deputados, senadores, generais e importantes em geral: Quem meteu nas suas cabeas que a ordem constitucional personificada s pelos representantes e no, muito acima deles, por quem os elegeu? Parem se ser hipcritas: defender “as instituies” contra o povo que as constituiu traio. A vontade popular clara e indisfarvel: Fora Dilma, Fora PT, Fora o Foro de So Paulo!
Contra a vontade popular, a presidente, seus ministros, o Congresso inteiro e o comando das Foras Armadas no tm autoridade nenhuma. Se vocs no querem fazer a vontade do povo, saiam do caminho e deixem que ele a faa por si.

 



 

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